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ChatGPT Ads: o ChatGPT vai passar a exibir anúncios? Entenda a mudança

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Celular com o ChatGPT aberto, mostrando resposta em formato conversacional — contexto de Ads no ChatGPT.
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Última modificação em 19 de janeiro de 2026 por Raquel Moriconi

Sumário

Se você abrir qualquer rede social agora, as chances de encontrar algo sobre inteligência artificial são de quase 100%. E entre tantas novidades que chegam, tem uma que promete transformar a maneira como interagimos com a tecnologia: a chegada dos ChatGPT Ads

Pois é. O que todos nós sabíamos que estava vindo, veio aí. O ChatGPT, o assistente de IA favorito de grande parte da população, começará a mostrar anúncios durante as conversas.

Embora pareça apenas um detalhe técnico, essa atualização diz muito sobre o futuro do marketing digital e a nossa própria experiência de busca, isso porque o mercado publicitário sempre se move para onde os nossos olhos estão. Se passamos horas conversando com uma IA, é natural que as marcas queiram estar ali também. É a lógica da atenção ditando, mais uma vez, o ritmo da tecnologia. 

Sempre foi assim, sempre será. E as IAs não escapariam desse movimento. 

Se você trabalha com marketing, ou simplesmente usa o ChatGPT para suas tarefas, esse artigo é para você. Vamos explorar como essa mudança irá chegar até nós, e, mais importante ainda, como se preparar e como lidar com ela. 

Linha do tempo dos ChatGPT Ads: anúncio de testes, fase inicial nos EUA, expansão gradual e formatos mais interativos.

Por que todo mundo começou a falar sobre ChatGPT Ads?

Em 16 de janeiro de 2026, a OpenAI, empresa que criou o ChatGPT, anunciou que faria testes com anúncios na plataforma. Mas calma, vai ser um processo gradual. Muito provavelmente você aqui no Brasil não verá anúncios quando for pedir uma receita de bolo no chat tão cedo. 

Tudo vai começar pelos Estados Unidos e, com o tempo, a ideia é que se espalhe pelo mundo. É uma virada estratégica necessária para a OpenAI: de um modelo que vivia só de assinaturas, o ChatGPT abraça um sistema híbrido, onde a publicidade agora vai ajudar a manter a versão gratuita rodando.

Vou te explicar melhor os motivos daqui a pouco.

Quem vai ver anúncios no ChatGPT?

A princípio, os anúncios vão aparecer para quem usa o plano gratuito do ChatGPT e para os assinantes do ChatGPT Go, uma versão bem recente e bem mais econômica que custa US$ 8 por mês (ou R$ 39,99 mensais no Brasil). 

A boa notícia para quem investe mais na plataforma é que os usuários dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise continuarão com uma experiência sem nenhuma propaganda.

Essa divisão faz parte de um plano maior da OpenAI para conseguir manter os acessos mais democráticos. 

Ao oferecer publicidade para as versões gratuitas e de menor custo, a empresa consegue fazer com que sua IA continue disponível para muito mais gente, enquanto quem paga por um plano superior tem a garantia de uma experiência sem interrupções.

É um pouco contrário oferecer uma experiência que pode ser considerada pior em prol de manter o serviço rodando? Talvez. Mas, empresas precisam de lucro para se manterem na ativa, e a OpenAI, no momento, está bem longe de ser uma empresa lucrativa.

Quem vê anúncios no ChatGPT: planos gratuito e ChatGPT Go com anúncios; Plus, Pro, Business e Enterprise sem anúncios.

Por que a OpenAI está colocando anúncios agora?

A decisão de incluir anúncios vem de uma realidade do mercado muito clara: operar e treinar modelos de inteligência artificial de ponta, como o GPT-4 e os futuros GPT-5, custa uma montanha de dinheiro

Estamos falando de uma infraestrutura de computação supercara, com servidores potentes e data centers que demandam um investimento que pode chegar a US$ 1,4 trilhão até 2030 só em infraestrutura.

Apesar de ter um faturamento anual impressionante, acima de US$ 20 bilhões em janeiro de 2026, a OpenAI ainda tem um custo operacional gigantesco, com uma queima de caixa (burn rate) de cerca de US$ 17 bilhões por ano

Com mais de 800 milhões de usuários ativos por semana – e só uma pequena parte pagando –, ficou evidente a necessidade de gerar mais dinheiro para bancar tanto crescimento e, um dia, chegar ao lucro.

E foi então que a publicidade paga veio como caminho inevitável. 

É um jeito natural de monetizar essa enorme base de usuários. Plataformas com muito alcance, como Google e Facebook, já fazem isso há décadas. E o próprio Sam Altman, CEO da OpenAI, que antes via anúncios como “último recurso”, mudou de discurso. 

Ele reconheceu que “muitas pessoas querem usar muita IA e não querem pagar”, o que mostra como a publicidade é essencial para manter a tecnologia acessível a estudantes e populações de baixa renda, permitindo que a empresa persiga seu objetivo maior: a Inteligência Artificial Geral (AGI).

Explicando rapidamente (porque eu sei que você ficou curioso): a Inteligência Artificial Geral (AGI, do inglês Artificial General Intelligence) representa o “Santo Graal” da computação: uma máquina capaz de realizar qualquer tarefa intelectual que um ser humano consegue fazer.

Diferente das IAs que usamos hoje, a AGI não seria limitada a uma função específica. Ela teria a capacidade de aprender habilidades novas de forma autônoma, aplicar conhecimentos de uma área em outra completamente diferente e apresentar algo próximo ao que chamamos de “senso comum”.

O que uma AGI seria capaz de fazer?

Um sistema de AGI não apenas processaria dados, mas demonstraria competências cognitivas humanas, como:

  • Raciocínio Abstrato: Resolver problemas inéditos sem ter sido programado especificamente para eles.
  • Consciência de Contexto: Entender nuances, ironias e o “porquê” das coisas, não apenas prever o próximo padrão.
  • Planejamento: Traçar estratégias complexas de longo prazo para atingir objetivos variados.

Por que ainda não chegamos lá?

Apesar dos avanços impressionantes com modelos como o Gemini e o GPT-4, especialistas apontam desafios enormes:

  1. Causalidade vs. Correlação: As IAs atuais são excelentes em notar padrões (“quando A acontece, B geralmente segue”), mas não entendem a causa real dos fenômenos.
  2. Consumo de Energia: O cérebro humano opera com cerca de 20 watts; uma AGI hoje exigiria supercomputadores com um consumo energético colossal.
  3. O Problema do Alinhamento: Garantir que uma inteligência tão poderosa compartilhe dos valores humanos e não tome decisões prejudiciais por “falta de ética” ou interpretações literais de comandos.

Os anúncios na IA vão valer para o mundo todo?

Como eu mencionei antes, os primeiros testes dos ChatGPT Ads começaram nos Estados Unidos, mas o plano da OpenAI é expandir para o mundo todo assim que essa fase inicial for bem-sucedida. 

Isso significa que, mesmo que você não esteja vendo anúncios ainda no Brasil ou em outros lugares, é quase certo que eles vão chegar. 

A empresa já disponibilizou o ChatGPT Go para 171 países, incluindo o Brasil, mostrando seu empenho em levar a IA para todos, e a publicidade é uma peça-chave nesse quebra-cabeça.

Como os ads no ChatGPT vão aparecer?

A OpenAI está sendo bem cuidadosa ao introduzir os anúncios no ChatGPT, colocando a sua experiência como usuário em primeiro lugar. A ideia deles é que a publicidade seja útil e não atrapalhe a sua conversa. 

A gente já fica muito cansado de ver propaganda em todos os lugares, certo? Então, a última coisa que a OpenAI quer é perder usuários por precisar fazer o negócio deles ser lucrativo.

Onde o anúncio vai aparecer na conversa?

Os anúncios aparecerão de um jeito discreto, lá no finalzinho das respostas que o ChatGPT gerar para você. 

Imagine um pequeno card ou um bloco separado do texto principal. Eles serão sempre identificados claramente como “patrocinados” ou “recomendação patrocinada”. Assim, você sempre saberá o que é uma resposta que o ChatGPT criou por conta própria e o que é um conteúdo que está sendo pago para aparecer.

Eles não vão interromper o fluxo da sua conversa, então, por enquanto, pode ficar despreocupado quanto a isso. Se você não se interessar, é só ignorar e continuar batendo papo com o chatbot como sempre.

Fidji Simo, CEO de Aplicações da OpenAI (ex-executiva do Facebook), reforçou que o compromisso de colocar o usuário em primeiro lugar não mudará, e que os feedbacks dos usuários sobre os formatos de anúncio serão usados para aprimorar a experiência sem trair esses princípios

O que dispara um anúncio no ChatGPT?

Um anúncio só é ativado quando o sistema percebe que a sua conversa tem algum interesse comercial ou uma ligação direta com um tema específico. Por exemplo:

  • Se você estiver pedindo dicas de destinos para uma viagem na Europa, pode ser que apareça um anúncio de uma companhia aérea ou de uma agência de turismo que oferece pacotes para lá.
  • Se você comparar diferentes tipos de impressoras para casa, o ChatGPT pode te mostrar um anúncio de uma loja vendendo um modelo que se encaixa na sua busca.

A publicidade tenta ser útil, oferecendo opções ou produtos que façam sentido para o que você está falando naquele momento.

Exemplo de ChatGPT Ads: anúncio em card patrocinado no final da resposta e opção de conversar com a marca.

Por que o ChatGPT Ads será diferente dos anúncios convencionais?

Se você está pensando em anúncios de busca tradicionais, como os do Google Ads, onde você digita uma palavra e vê uma lista de links, os ChatGPT Ads irão seguir por um caminho diferente. 

Eles funcionam em um ambiente conversacional. A publicidade não virá antes da resposta, como uma lista, mas sim como uma sugestão que completa a informação que a IA já te deu.

Isso abre portas para formatos mais dinâmicos. Em vez de apenas um link, podemos ver anúncios que permitem que você converse diretamente com a marca

Por exemplo, ao clicar em um anúncio de um hotel, pode ser que um mini-chat com um concierge virtual do hotel se abra, para tirar dúvidas e até ajudar na reserva. A ideia da OpenAI com os ads é tornar a experiência o mais fácil possível para você. Bom, pelo menos na teoria. Teremos que ver como as coisas vão funcionar quando realmente chegarem por aqui. 

O ChatGPT vai mostrar mais quem pagar por anúncios?

A privacidade de dados é um assunto que nos preocupa cada vez mais, e com a chegada da publicidade em ferramentas de IA, essa preocupação se intensifica. A OpenAI tem sido bastante clara em sua promessa: não vai vender o histórico das suas conversas nem seus dados pessoais para os anunciantes

Essa é uma postura crucial, especialmente em um mundo pós-cookies, onde a forma como as empresas usam nossas informações está sob um escrutínio constante.

Direcionamento contextual: o anúncio segue o tema da conversa

O segredo do direcionamento dos anúncios no ChatGPT estará no contexto da sua conversa atual. Ou seja, a publicidade que você vê será ligada diretamente ao que você está falando com a IA naquele momento. Ela não vai criar um perfil detalhado seu com base em todo o seu histórico de navegação, mas sim entender a sua intenção naquela sessão.

Por exemplo, se você está conversando sobre “como organizar o escritório em casa” e pedindo dicas de móveis, pode ser que apareça um anúncio de cadeiras ergonômicas ou de softwares de organização de tarefas. 

Se a conversa for sobre “receitas fáceis para o jantar”, pode surgir uma recomendação patrocinada de um serviço de entrega de ingredientes ou de um livro de culinária. 

O foco é realmente no que você está discutindo naquele momento, com base no tópico da conversa.

O que o anunciante não recebe

É super importante entender que os anunciantes não terão acesso direto ao conteúdo das suas conversas nem aos seus dados pessoais. A OpenAI garante que não compartilhará o teor das interações com as empresas de publicidade.

O que eles provavelmente verão são dados gerais e agregados, como quantas vezes um anúncio foi mostrado, quantos cliques recebeu ou o nível de interação que gerou. Isso significa que você não se torna um “produto” no sentido clássico de ter suas informações mais íntimas vendidas a terceiros, como acontece em modelos de publicidade que dependem de um perfilamento aprofundado e constante do usuário. 

A ideia é que o modelo seja mais próximo de anúncios contextuais, onde o assunto da conversa determina os anúncios, mas sem um rastreamento invasivo.

Como desligar personalização e limpar dados (controle do usuário)

A OpenAI se comprometeu a colocar nas suas mãos o controle total sobre a personalização dos anúncios (Anúncios no ChatGPT: o que muda e o que esperar, p. 2). Nas configurações do ChatGPT, você deve encontrar uma opção para desativar a personalização de anúncios. Isso evita que dados como suas preferências (por exemplo, as que você definiu nas suas “Custom Instructions” – instruções personalizadas) ou seu histórico de conversas influenciem quais anúncios você vê.

Além disso, você terá a liberdade de limpar os dados usados para direcionar a publicidade dentro do ChatGPT a qualquer momento (Anúncios no ChatGPT: o que muda e o que esperar, p. 2). Essa transparência e controle sobre as suas informações são elementos essenciais para que você possa usar a ferramenta com mais tranquilidade, sabendo que suas escolhas de privacidade estão sendo respeitadas. Para quem busca uma experiência totalmente livre de publicidade, a OpenAI sempre oferecerá opções pagas sem anúncios, como o ChatGPT Plus.

E como fica a privacidade com os anúncios no ChatGPT?

A privacidade é um tema muito sério, especialmente agora com a chegada da publicidade. A OpenAI deixour claro que não vai vender o histórico das suas conversas nem seus dados para os anunciantes.

O segredo do direcionamento dos anúncios será o contexto da sua conversa atual. Ou seja, a publicidade que você vê será ligada diretamente ao que você está falando com o ChatGPT. 

Por exemplo, se você está conversando sobre “como organizar o escritório em casa”, pode ver um anúncio de móveis ergonômicos ou de softwares de organização.

A empresa explica que não usará um “perfil comportamental” seu, criado a partir de um rastreamento invasivo, como costuma acontecer em outras plataformas digitais. 

O foco é realmente no que você está discutindo naquele momento.

O que o anunciante não recebe:

Os anunciantes não terão acesso direto ao conteúdo das suas conversas ou aos seus dados pessoais. O que eles provavelmente verão são dados gerais, como quantas vezes um anúncio foi mostrado, quantos cliques recebeu ou o nível de interação com ele. 

Você não se torna um “produto” no sentido de ter suas informações mais íntimas vendidas.

Além disso, a OpenAI se comprometeu a colocar nas suas mãos o controle sobre a personalização dos anúncios. 

Nas configurações do ChatGPT, você deve encontrar uma opção para desativar a personalização. Isso evita que dados como suas preferências ou seu histórico de conversas influenciem os anúncios que você vê. E você poderá limpar os dados usados para direcionar a publicidade a qualquer momento.

Privacidade nos ChatGPT Ads: métricas agregadas podem aparecer para o anunciante; conteúdo do chat e dados pessoais não são entregues.

Onde os anúncios no ChatGPT não devem aparecer (e por quê)

Para garantir mais segurança e construir a confiança dos usuários, a OpenAI estabeleceu alguns limites bem claros para a exibição de anúncios no ChatGPT. São alguns limites que a empresa se comprometeu a não cruzar. 

Menores: por que essa restrição existe

A OpenAI afirma que não vai exibir anúncios para menores de 18 anos. Essa é uma regra crucial de proteção e conformidade, que segue as leis de privacidade e publicidade voltadas para crianças e adolescentes. A empresa sabe que precisa proteger os mais jovens de conteúdos inadequados ou de pressões comerciais indevidas.

Se o sistema identificar (ou estimar) que a conta pertence a um menor, a publicidade será simplesmente bloqueada. Para as marcas, isso significa que campanhas focadas em um público jovem precisarão buscar outros caminhos fora do ChatGPT, pois esse canal não será acessível para esse tipo de direcionamento. 

Tópicos sensíveis: o que tende a ficar fora

Além de proteger os menores, o ChatGPT não mostrará anúncios em conversas sobre temas delicados ou que são regulados. Essa é uma forma de evitar que a publicidade se misture com conteúdos que podem explorar vulnerabilidades ou gerar associações negativas para as marcas e para a própria IA. Alguns exemplos desses tópicos são:

  • Saúde e saúde mental: Conversas sobre doenças, tratamentos ou questões emocionais são áreas de grande sensibilidade. A ideia é evitar a exploração de momentos vulneráveis e a associação com informações médicas que podem ser interpretadas de forma inadequada. Isso é diferente de um buscador tradicional, onde anúncios de medicamentos ou planos de saúde podem aparecer ao lado de resultados informativos. 
  • Política: Temas políticos são frequentemente complexos e podem ser polarizadores. Ao bloquear anúncios nessa área, a OpenAI busca manter a imparcialidade da IA e evitar a disseminação de desinformação ou a associação com agendas específicas.
  • Outros temas regulados, como finanças pessoais delicadas ou questões legais.

Essa abordagem é bem diferente dos buscadores tradicionais, onde anúncios em temas mais gerais de saúde ou finanças são comuns. Em uma conversa direta e pessoal com uma IA, o cuidado é redobrado para evitar associações impróprias, enganosas ou que possam minar a confiança do usuário no assistente. 

É uma tentativa de manter a IA como uma ferramenta neutra, longe de influências comerciais questionáveis.

O impacto disso para anunciantes e agências

Para quem anuncia e para as agências de publicidade, essas restrições têm um impacto claro. Significa que algumas áreas de mercado terão menos espaço para anúncios dentro do ChatGPT. 

Marcas de setores mais sensíveis precisarão pensar muito bem onde investir sua verba, talvez adaptando suas estratégias para outros canais digitais ou focando em áreas do ChatGPT que não estejam nessa lista de restrições.

Isso também sublinha a importância da segurança da marca (brand safety). As empresas precisarão garantir que seus anúncios apareçam em contextos apropriados, e a OpenAI está tentando pré-filtrar isso. 

É bom lembrar que o mundo da IA tem suas próprias regras de ética e segurança, e elas impactam diretamente o que pode e o que não pode ser anunciado. Entender esses limites é essencial para planejar campanhas eficazes e, ao mesmo tempo, proteger a reputação da sua marca no ambiente da inteligência artificial.

O ChatGPT Ads vai mexer com Google Ads e com o tráfego orgânico?

Já adianto que sim, muito provavelmente. A chegada dos ChatGPT Ads é vista por muitos no mercado como um desafio direto ao Google, especialmente naquilo que é o coração do seu negócio: a publicidade em buscas. 

O ChatGPT já processa mais de 3 bilhões de consultas por dia (enquanto o Google lida com cerca de 9 bilhões). Esse é um volume impressionante de interações que, até pouco tempo, poderiam estar acontecendo lá no buscador tradicional.

O novo comportamento: perguntar no chat antes de pesquisar

Em vez de abrir o navegador, digitar uma palavra-chave e clicar em uma lista de links para encontrar o que queremos, muitos de nós agora preferimos fazer uma pergunta diretamente a uma IA conversacional

Não queremos mais garimpar a informação; buscamos uma resposta pronta, contextualizada, que se encaixe na nossa dúvida e que nos leve à ação de forma mais rápida.

Esse novo caminho – você pergunta → a IA responde de forma completa → você age – diminui a nossa necessidade de ficar clicando em listas e listas de links. Se o ChatGPT conseguir dar uma resposta útil, junto com uma recomendação patrocinada que faz todo o sentido, a sua jornada de compra pode até terminar ali mesmo, antes de você precisar abrir uma nova aba. 

E, sim, isso pode fazer com que uma parte do dinheiro que as empresas gastam em publicidade comece a migrar para o universo da IA conversacional, que se mostra como um canal potencialmente muito eficiente.

O que muda para mídia paga (comparando com o modelo tradicional)

A mídia paga como conhecemos hoje, tipo o Google Ads, funciona com palavras-chave, leilões e uma página de resultados (a famosa SERP, Search Engine Results Page). O anúncio aparece ali, misturado ou destacado dos resultados orgânicos, e você clica para saber mais.

Com os ChatGPT Ads, a lógica se inverte um pouco e se adapta ao diálogo:

  • A base é a linguagem natural da sua conversa, não apenas palavras-chave isoladas.
  • O direcionamento se dá pelo contexto da sua interação, o que você está de fato conversando com a IA.
  • A publicidade aparece como uma recomendação patrocinada que complementa o que a IA já te disse, sem interromper a sua busca por informações.

O grande diferencial é que o anúncio aparece depois de você ter recebido uma resposta do ChatGPT, e não antes. Isso significa que você já está engajado na conversa, já teve sua dúvida respondida, e, talvez, esteja mais aberto a uma sugestão que complemente a informação que a IA acabou de te dar. 

É uma forma de publicidade que busca capturar sua intenção no momento exato, algo que o mercado está chamando de “publicidade de intenção conversacional”.

Para o Google, isso representa o que alguns especialistas chamam de “Dilema do Inovador”. Enquanto o Google sempre ofereceu múltiplas opções de links, o ChatGPT tenta dar a melhor resposta

Essa diferença pode fazer com que o Google perca espaço em categorias de alto valor, como viagens, finanças e seguros, se o ChatGPT for eficaz em entregar respostas transacionais. 

Além disso, os anúncios na inteligência artificial da OpenAI levantam um outro problema para a gigante das buscas. Embora o Google venha experimentando com recursos de IA em sua própria busca (como o SGE, Search Generative Experience), e negue publicamente a inserção de anúncios diretos no Gemini, o movimento da OpenAI está, sem dúvida, colocando pressão nos rivais para definirem suas estratégias de monetização.

Jeremy Goldman, analista da Insider Intelligence, comentou que a medida da OpenAI pode forçar os concorrentes a “esclarecer suas filosofias de monetização, especialmente aqueles que se posicionaram como ‘livres de anúncios por design’”.

O que muda para conteúdo e SEO?

Com o crescimento dos buscadores que geram respostas diretas e o uso cada vez maior da IA para resumir informações, o famoso SEO (Search Engine Optimization) está evoluindo para algo que chamamos de AEO (Answer Engine Optimization) e GEO (Generative Engine Optimization).

Seu conteúdo precisa ser tão bom, tão claro e tão objetivo que a inteligência artificial o considere uma fonte confiável para construir as próprias respostas. 

Para que seu conteúdo seja “amigo” da IA e tenha chances de ser citado, ele vai precisar ter:

  • Clareza e objetividade: A IA busca informações diretas, fáceis de entender e sem enrolação.
  • Estrutura fácil de escanear: Use subtítulos, listas e parágrafos curtos para que a IA (e, convenhamos, o seu leitor humano também) consiga pegar as informações mais rápido.
  • Dados objetivos e que possam ser verificados: A confiança da IA no seu conteúdo será crucial. Quanto mais sua marca for citada em fontes confiáveis e tiver seu conteúdo otimizado, maiores as chances de ser referenciada organicamente.
  • Textos que possam ser “puxados” em blocos: Crie partes do texto que possam ser facilmente usadas como trechos de resposta pela IA, sem perder o sentido.

Como se preparar para os anúncios no ChatGPT?

Não podemos esperar que os ChatGPT Ads sejam totalmente lançados para começar a nos mexer, não é? Quem se prepara antes, com certeza, garante um lugar de destaque e uma vantagem e tanto na largada. 

Então, preste atenção nesses passos:

1) Mapear perguntas que indicam decisão de compra

Entender o que seu público pergunta – ou, mais importante, o que ele perguntaria para uma IA – na hora de tomar uma decisão de compra é fundamental. Pense na sua marca e nos produtos ou serviços que você oferece e comece levantando essas perguntas:

  • Comparativos: “Qual é o melhor [produto/serviço] para [minha necessidade]?”
  • Recomendações: “O que escolher para [resolver um problema específico]?”
  • Custo-benefício: “Vale a pena investir em [uma solução específica]?”

Ferramentas como o Google Trends, AnswerThePublic ou até mesmo o próprio ChatGPT podem te ajudar a descobrir essas dúvidas. Depois de ter essa lista de “intenções conversacionais” ligadas ao seu mercado, você terá uma base valiosa para duas coisas: criar conteúdo orgânico (que a IA possa citar nas suas respostas) e direcionar futuras campanhas de anúncios, sabendo exatamente quais temas comprar quando a segmentação por assunto estiver disponível.

2) Ajustar criativo para o formato conversacional

Os anúncios no ChatGPT não serão como os banners tradicionais que vemos por aí. Esqueça o link estático com título e descrição. Seus textos publicitários precisarão ser:

  • Diretos: Poucas palavras, mas com uma clareza impecável.
  • Úteis: Focados em resolver uma dor ou necessidade que você tenha naquele momento.
  • Específicos: Com um benefício muito bem definido para você.

Imagine que, em vez de um anúncio, você está escrevendo um mini-chat com seu cliente. Para isso, o texto publicitário precisa entregar valor rapidamente. Uma boa estrutura de copy (texto publicitário) pode ser:

  • Para quem é: Deixe claro quem você quer alcançar e por que aquilo é para ela.
  • Qual problema resolve: Mostre a solução que você oferece e o alívio que ela traz.
  • O que você ganha: Liste os principais benefícios e como a vida da pessoa melhora.
  • Próximo passo simples: Diga o que a pessoa deve fazer em seguida, sem complicação.

Pense também na possibilidade de criar mini-chatbots ou diálogos de vendas para engajar a pessoa que clicar no anúncio, como no exemplo do Pueblo & Pine, que abria um chat para conversar sobre acomodações. 

Isso exige uma mente aberta para formatos diferentes e um certo preparo para “treinar” a IA com as informações da sua marca.

3) Preparar o “lugar de conversão” (site, landing page, oferta)

Um anúncio excelente não vale de nada se o lugar para onde ele te leva não estiver totalmente pronto para receber quem chega. 

Seu site, sua landing page (a página de destino) ou a sua oferta precisam estar impecáveis. Além de ajudar na conversão, um site claro e bem estruturado ajuda a IA a entender sua marca, o que contribui para menções orgânicas. Certifique-se de que:

  • A promessa seja clara: O que você oferece e por que é importante para o visitante.
  • Haja prova social: Depoimentos, avaliações de clientes satisfeitos e casos de sucesso que gerem confiança.
  • Um FAQ (perguntas frequentes) curto e no meio do texto, que já esclareça as dúvidas mais comuns sem precisar de um bloco separado.
  • Comparações com outras opções (se fizer sentido) que destaquem o que você tem de melhor e o diferenciem.
  • As dúvidas mais comuns sejam respondidas de forma transparente, antecipando as objeções do cliente.

4) Medir impacto mesmo quando não há clique direto

Nem toda interação com um ChatGPT Ad vai virar um clique imediato. A jornada do consumidor em IA pode ser mais complexa, e o impacto pode ser, muitas vezes, mais indireto do que estamos acostumados. Por exemplo:

  • Aumento na busca pela sua marca em outros lugares (como no Google ou diretamente no seu site).
  • Mais tráfego direto para o seu site, já que a pessoa pode memorizar o nome da marca e digitar diretamente.
  • Conversas que viram vendas mais tarde, por outros canais, após a influência inicial do anúncio na IA.

Isso significa que as métricas tradicionais de cliques e conversões diretas podem não contar a história toda. É bom se preparar para janelas de atribuição mais longas e múltiplos pontos de contato. Para conseguir acompanhar isso, você pode:

  • Usar UTMs (Urchin Tracking Module), que são códigos que você adiciona aos links, para saber de onde veio o tráfego quando houver cliques.
  • Criar cupons exclusivos para campanhas no ChatGPT, que a pessoa possa copiar e usar depois.
  • Monitorar o volume de buscas pelo nome da sua marca para ver se há picos depois que os anúncios forem veiculados.
  • Considerar que a integração com plataformas (via plugins) pode fornecer dados mais precisos, caso o ChatGPT venha a ter um ecossistema de plugins para e-commerce que rastreie conversões.

A ideia é que você ajuste o seu modelo de atribuição de marketing para capturar a influência do “canal IA”, que pode ser sutil, mas super importante.

5) Reforçar sua marca para virar referência em respostas de IA

Para que a IA “cite” sua marca organicamente, você precisa construir sua autoridade, credibilidade e relevância no mundo digital. É aqui que o SEO tradicional evolui para GEO (Generative Engine Optimization) e AEO (Answer Engine Optimization). Para isso, invista em:

  • Crie conteúdo de alta qualidade com dados verificáveis, que possa ser facilmente referenciado pela IA. Pense em sinais de E-E-A-T (Experience, Expertise, Authoritativeness, Trustworthiness) para construir confiança.
  • Escreva trechos de texto com respostas objetivas para perguntas comuns, de forma que a IA consiga extrair e usar essas informações.
  • Use títulos em formato de pergunta (por exemplo: “O que é X?”, “Como fazer Y?”, “Como funciona Z?”. Formatos que usei bastante neste artigo aqui) para que seu conteúdo se alinhe com as consultas diretas dos usuários na IA.
  • Mantenha seu conteúdo organizado e fácil de ler (escaneável), com uma estrutura limpa e, se possível, dados estruturados (schema) em seu site, como FAQ schema e Product schema, para facilitar a compreensão pelos sistemas de IA.

Quanto mais a sua empresa for citada em fontes confiáveis e tiver seu conteúdo otimizado para ser “digerido” pela IA, maior a chance do ChatGPT referenciá-la nas respostas, mesmo sem um anúncio pago.

Como se preparar para ChatGPT Ads: mapear perguntas de compra, criar anúncio conversacional, ajustar página de destino, medir impacto além do clique e fortalecer conteúdo citável.

O que devemos observar nos próximos meses?

O universo dos Ads no ChatGPT ainda é novo, e com certeza não é um cenário estático. Por isso, a palavra de ordem é acompanhar de perto e se adaptar. Muita coisa vai mudar rapidamente, especialmente quando os testes começarem a rodar, e estar atento aos sinais pode ser seu maior trunfo.

Como saber quando é hora de testar os anúncios no ChatGPT?

Você pode ficar de olho em alguns sinais práticos que vão indicar o momento certo para começar seus testes e colocar sua marca na frente:

  • A abertura oficial da plataforma de anúncios para empresas: A OpenAI já informou que em breve dará mais detalhes sobre como as empresas poderão anunciar, e que é provável que abra um programa piloto para parceiros. Fique atento aos comunicados oficiais da empresa. Esse será o sinal mais claro de que o “portão” foi aberto.
  • O surgimento de exemplos e bons resultados de outras marcas: Observe quem está testando primeiro. Quais são os cases de sucesso? Quais benchmarks (referências de desempenho) estão sendo criados? Aprender com os primeiros desbravadores pode te dar uma direção valiosa antes de investir seu tempo e recursos.
  • A estabilidade dos formatos de anúncio e das regras: Nas fases iniciais, tudo é um experimento. Pode ser inteligente esperar um pouco até que os formatos se consolidem e as diretrizes fiquem mais claras. Assim, você evita perder tempo com formatos que podem ser descontinuados ou regras que mudam constantemente.

Que tipo de marca vai ganhar primeiro com os anúncios no ChatGPT?

Nem todo tipo de negócio terá a mesma vantagem inicial com a publicidade em IA conversacional. Alguns setores e marcas provavelmente sairão na frente, aproveitando a natureza das interações no ChatGPT:

  • SaaS (Software as a Service): Empresas que oferecem softwares para resolver problemas específicos, pois as perguntas na IA frequentemente buscam soluções para tarefas.
  • Educação: Cursos, treinamentos e plataformas de aprendizado, já que muitos usuários buscam conhecimento e aprimoramento.
  • Viagens: Hotéis, agências e destinos turísticos, onde as pessoas pedem recomendações e planejam roteiros.
  • Produtos com alto valor e que exigem muita pesquisa: Pense em bens que você não compra por impulso, que demandam uma decisão mais aprofundada e muitas informações antes da compra. O ambiente conversacional da IA é perfeito para essas buscas consultivas.

A lógica é que o ChatGPT tem uma capacidade única de capturar o usuário no momento exato de uma intenção de compra ou de solução de um problema, especialmente em tópicos transacionais. Isso pode tornar a publicidade ali muito eficaz para esses nichos.

Quais mudanças podem acontecer no formato?

A publicidade em IA conversacional promete ir muito além dos simples links patrocinados que conhecemos. Os formatos de anúncios podem evoluir bastante:

  • Anúncios mais próximos de uma recomendação que a própria IA faz: Imagine que, em vez de um link, a IA te ofereça uma sugestão mais integrada à conversa (sempre identificada como patrocinada, é claro!). Isso se alinha com o conceito de “Agentic Ads” (anúncios agênticos), onde a publicidade se transforma em um serviço útil.
  • Anúncios que oferecem a opção de conversar diretamente com a marca dentro do ChatGPT: Lembra do exemplo da empresa “Pueblo & Pine”, que permitia iniciar um chat para tirar dúvidas sobre suas acomodações? Essa experiência conversacional e interativa é algo que a OpenAI planeja explorar muito. Você poderia tirar dúvidas em tempo real, pedir mais informações ou até personalizar sua oferta.
  • Anúncios ligados a uma compra rápida, onde a IA pode facilitar a transação na hora: O próprio Sam Altman já sugeriu que, no futuro, a IA poderia apresentar uma recomendação orgânica e, se você decidir comprar via chat em um clique, a OpenAI ganharia uma porcentagem. Isso transformaria a publicidade em uma ação direta e com menos passos.

O potencial é imenso. Analistas preveem que, se a OpenAI conseguir monetizar bem sua base de usuários, a empresa pode alcançar uma receita anual de US$ 100 bilhões até 2029, o que colocaria o ChatGPT Ads em uma posição de rivalizar com o Google Ads em menos de uma década. 

Essa perspectiva financeira deve acelerar o desenvolvimento e a experimentação de novos formatos, transformando a publicidade digital de um jeito que mal conseguimos imaginar hoje.

ChatGPT Ads: ter medo ou aderir cedo?

Calma, não é o fim do mundo. É apenas o início de uma nova forma de navegar pelo vasto oceano digital. A publicidade está migrando para a IA conversacional porque a atenção das pessoas também está lá. É um movimento natural que acontece a cada grande mudança tecnológica, e as IAs, com seu poder de engajamento, não ficariam de fora.

Para quem atua no mercado, entender essa mudança logo e se preparar, criando estratégias de conteúdo e publicidade adaptadas, significa conquistar uma vantagem competitiva gigante

Não só na forma como você anuncia, mas também na maneira como sua marca é vista e citada pelas próprias inteligências artificiais. Os resultados e projeções financeiras da OpenAI, que espera faturar “bilhões de dólares” com publicidade já em 2026, mostram o peso dessa nova frente.

Não há necessidade de entrar em pânico, mas é fundamental agir. Prepare sua marca, esteja aberto para começar a testar os novos formatos assim que surgirem, e cultive a capacidade de fazer ajustes rápidos.

A história nos mostra, de novo e de novo, que a tecnologia evolui e quem se adapta primeiro colhe os melhores frutos.

Se você sente que sua marca precisa de um apoio para organizar sua estratégia de conteúdo para ser “citada” pela IA (o famoso GEO/AEO), para ajustar seu SEO e o desempenho digital nesse cenário em transformação, ou para deixar toda a sua base pronta, com uma ajudinha do inbound marketing, chama a gente para uma conversa

Estamos aqui para ajudar você a traçar o melhor caminho e prosperar nessa nova era da inteligência artificial.

Raquel Moriconi

Sou formada em Letras pela USP. Apaixonada por jogos e linguagens desde criancinha. Estudei um pouco de armênio e japonês durante a graduação e estou sempre em busca de trazer o que é diferente.