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Última modificação em 27 de agosto de 2025 por Raquel Moriconi
Quando falamos sobre estratégias de marketing digital inovadoras, poucos casos são tão fascinantes quanto o da loirinha preferida da internet, Taylor Swift! E como alguém que acompanha sua carreira desde 2011 — e que já chegou ao ponto de viajar para outro país para assistir a uma das turnês dela —, eu posso afirmar que presenciei de perto uma verdadeira masterclass em marketing moderno.
Cada era, cada lançamento, cada movimento estratégico que ela fez ao longo desses anos me ensinou mais sobre branding, comunidade e storytelling do que muito manual escrito por gurus com anos de experiência.
O marketing digital moderno é multifacetado, e a Taylor se tornou um dos maiores cases do mundo justamente por aplicar essas estratégias de forma consistente e inovadora em sua carreira. Não é à toa que o cérebro humano é 22 vezes mais propenso a lembrar fatos apresentados em uma história.
E, olha, ela domina essa arte como poucos.
Swift é considerada uma das últimas entidades monoculturais do mundo, e isso não aconteceu por acaso. A sua capacidade de redefinir as fronteiras da indústria do entretenimento, transformando cada lançamento em um evento cultural (e eu digo cada lançamento mesmo! Desde uma participação em podcast até o recente anúncio de noivado com Travis Kelce — que aliás foi uma das inspirações para esse outro artigo, sobre as tendências do marketing. Vai lá conferir depois desse!), oferece lições valiosas para marcas de qualquer setor.
Aproveitando o hype do lançamento do The Life of a Show Girl, eu quero analisar e destrinchar com vocês alguns conceitos centrais de marketing digital e como eles se refletem nas ações da Taylor Swift, mostrando lições práticas que qualquer marca pode aplicar.
Desde o marketing de expectativa que ela domina com seus famosos “easter eggs” até a gestão narrativa que a transformou de vítima em heroína de sua própria história, cada estratégia que ela utiliza tem fundamentos que podemos adaptar para nossos negócios.
Me fala, … are you ready for it?

O AT&T Stadium, um dos locais que receberam a Reputation Stadium Tour e onde pude presenciar o show ao vivo em 2018
Marketing de Expectativa — o poder do teaser antes do lançamento
Nosso pontapé inicial, nosso debut, como diria a indústria da música, exatamente o que vai te fazer querer ler este artigo até o final: o marketing de expectativa!
Você já parou para pensar por que ficamos obcecados por trailers de filmes ou por que não conseguimos parar de especular sobre o próximo iPhone? A resposta está nessa estratégia, uma mais poderosas do arsenal digital moderno.
Academicamente falando, um teaser é definido como um:
“Anúncio curto projetado para provocar o público, oferecendo apenas pedaços de informação, sem revelar completamente o produto ou a mensagem”
Mas a magia vai muito além dessa simples definição. O que realmente acontece é a exploração de um mecanismo psicológico fascinante: a “lacuna da curiosidade”.
Quando percebemos que nos falta informação sobre algo que desperta nosso interesse, nosso cérebro ativa um sistema de aversão à lacuna de informação.
É bem maluco, mas é como se houvesse um vazio mental que precisa ser preenchido, e isso nos motiva a buscar ativamente mais detalhes!
Esse fenômeno transforma consumidores passivos em participantes ativos do processo de descoberta, exatamente o que toda marca deseja.
O que torna essa estratégia ainda mais eficaz é o fato de que mais de 80% do processamento de informações humanas é não-verbal. Isso significa que elementos visuais, sonoros e sensoriais em um teaser podem comunicar muito mais do que palavras, criando conexões emocionais profundas antes mesmo que o produto seja revelado.
O case Taylor Swift — “Easter eggs”, contagens regressivas e o hype em torno das regravações
Vamos ver a mestra do marketing de expectativa em ação?
A evolução da estratégia de easter eggs de Taytay é um case study perfeito de como adaptar táticas de teaser para diferentes épocas e plataformas.
No início, ela incorporava mensagens secretas nas notas do encarte de seus CDs, usando letras maiúsculas nas letras das músicas para formar palavras ocultas. Isso muuuito antes de fazer sucesso, provando que não é porque sua marca é pequena que você não deve explorar esses pequenos gatilhos.
Era simples, mas eficaz para quem comprava o álbum físico. E claro, isso estimulava a compra. Essa estratégia continua até hoje. Numa época em que a gente só ouve música no digital, ela faz todos quererem a versão física simplesmente para poderem conferir de perto os famosos “easter eggs”.
É claro que, com o tempo, a tática evoluiu para quebra-cabeças multiplataforma complexos que envolvem redes sociais, videoclipes, entrevistas e até discursos públicos.
Cada era trouxe inovações específicas. Confere algumas:
- Reputation (2017): O apagão total nas redes sociais por uma semana, seguido por vídeos crípticos de cobras. Imaginem o desespero (e a genialidade) de apagar completamente sua presença digital quando você tem milhões de seguidores. Isso garantiu um dos maiores comebacks da história da música.
- Midnights (2022): Os TikToks “Midnights Mayhem with Me”, onde ela revelava títulos das faixas usando um telefone rotativo vermelho. Cada vídeo gerava milhões de visualizações e teorias infinitas dos fãs.
- The Tortured Poets Department (2024): Murais com códigos QR em várias cidades que levavam a vídeos curtos não listados no YouTube. Isso transformou o marketing em uma experiência física e digital simultânea.
O que ela fez foi transformar a “lacuna da curiosidade” em um motor de engajamento dos fãs. Cada pista incompleta força os Swifties a especularem, teorizarem e, principalmente, falarem sobre ela. Seus lançamentos se tornaram verdadeiros “quebra-cabeças interativos” onde os fãs são co-criadores da experiência de marketing.
Outras marcas que usaram o marketing de expectativa como estratégia
No B2B, a Blend conseguiu um aumento de 183% no tráfego do site usando estratégias de SEO e conteúdo que construíam gradualmente autoridade e interesse. A Hummingbird criou vídeos explicativos que construíam suspense sobre como sua tecnologia combate crimes financeiros. E a Lenovo? Gerou 300 milhões de impressões com uma campanha de marketing de conteúdo inovadora que tornava temas técnicos de TI mais envolventes.
No B2C, temos exemplos ainda mais diretos. A Apple transformou seus eventos de lançamento em verdadeiros espetáculos de expectativa, gerando meses de especulação antes da revelação.
O segredo está em equilibrar mistério com relevância. Você precisa dar informação suficiente para despertar interesse, mas não tanto que elimine a curiosidade. É uma dança delicada, mas quando bem executada, transforma um lançamento de produto em um evento que seus clientes aguardam ansiosamente.
Marketing de Comunidade — de público a tribo leal
Desse aqui, eu sou exemplo vivo.
Uma das maiores lições que aprendi acompanhando a Taylor todos esses anos é a diferença fundamental entre ter um público e construir uma comunidade. E essa distinção pode transformar completamente os resultados de uma marca.
Um público funciona numa relação “um para muitos”: você fala, eles escutam.
É como um show onde o artista está no palco e a plateia apenas assiste. A comunicação é unidirecional, do criador para o consumidor, e os membros do público geralmente não interagem entre si. O foco aqui é aumentar o alcance e o número de pessoas atingidas.
Já uma comunidade opera numa dinâmica “muitos para muitos”. É um espaço onde pessoas com interesses em comum se conectam, compartilham experiências e constroem relacionamentos. Os membros interagem ativamente entre si e com a marca, criando um ecossistema vivo de troca de opiniões e experiências.
Existem dois tipos principais de comunidade:
- Orgânica: surge espontaneamente pelos próprios clientes, baseada em suas experiências genuínas com a marca
- Patrocinada: é uma iniciativa da empresa, que estimula e media o contato entre as pessoas, definindo o ambiente e fomentando discussões
Enquanto o público busca apenas alcance, a comunidade foca em construir confiança e lealdade genuínas. E olha, lealdade não se compra. Se cultiva através de experiência e pertencimento.
Táticas de engajamento e lealdade (UGC, social listening, programas de embaixadores)
Construir uma comunidade engajada não acontece por acaso.
- Aproveitamento das mídias sociais vai muito além de postar conteúdo. Envolve criar planos que incentivem engajamento real através de enquetes, quizzes, Q&As, desafios, lives e campanhas de UGC (conteúdo gerado pelo usuário).
- Conteúdo gerado pelo usuário é o objetivo maior. Incentivar e destacar fotos, vídeos, avaliações e resenhas dos clientes, oferecendo incentivos para participação. Quando os próprios clientes se tornam criadores de conteúdo, a autenticidade dispara.
- Programas de embaixadores da marca transformam clientes leais em promotores ativos.
- Eventos virtuais e presenciais humanizam a marca através de interações diretas. Webinars, workshops, Q&As e transmissões ao vivo oferecem acessibilidade, enquanto encontros presenciais proporcionam experiências exclusivas e memoráveis.
- Social listening é fundamental, monitorar discussões sobre a marca em mídias sociais, fóruns e sites de avaliação para identificar tendências e abordar preocupações proativamente.
Só que aí tem duas coisas que muitas marcas negligenciam:
A moderação e diretrizes claras são essenciais para garantir um ambiente respeitoso e de apoio. Uma comunidade sem regras claras pode rapidamente se tornar tóxica.
O onboarding de qualidade cria uma ótima primeira impressão para novos membros, enquanto o reconhecimento de contribuições através de menções, distintivos ou gamificação mantém o engajamento alto.
O case Taylor Swift — Os “Swifties” como comunidade orgânica e patrocinada
Eu presenciei em primeira mão como a Taylor Swift construiu uma das comunidades mais leais e engajadas do mundo.
As Secret Sessions são talvez o exemplo mais brilhante de construção de comunidade que já vi. A partir do álbum 1989, ela começou a selecionar pessoalmente 89 “fãs diehard”, monitorando suas atividades nas redes sociais por meses.
Essas reuniões ultrassecretas aconteciam na casa dela (!!!) ou quartos de hotel, onde os fãs ouviam o novo álbum antes do lançamento, interagiam, comiam cookies caseiros (feitos por ela, aliás) e participavam de encontros exclusivos.
A Taylor abordava cada fã pelo nome e lembrava detalhes pessoais, tornando a experiência profundamente individualizada. Isso transformou relações transacionais em laços quase familiares.
Você se sentia próximo de uma das maiores estrelas da humanidade.
No engajamento digital, ela vai além do básico. Frequentemente curte, comenta e compartilha publicações de fãs, fazendo com que milhões de pessoas se sintam vistas e valorizadas por sua artista favorita.
E os projetos liderados por fãs são fascinantes de observar. O “Projeto Marjorie” (onde fãs iluminavam telefones após a música “Marjorie”), as pulseiras da amizade trocadas nos shows da Eras Tour (ainda tenho várias das que ganhei), e cânticos coordenados como “Thank you” após “Champagne Problems” — tudo isso surge organicamente da comunidade, mas é sutilmente incentivado por ela.
Seus atos de bondade vão muito além do marketing: pagar contas médicas e empréstimos estudantis para fãs, enviar notas personalizadas e flores para casamentos, bônus generosos a motoristas das turnês, convidar crianças de lares adotivos para ensaios.
Isso cria um nível de lealdade que transcende a música.
Storytelling e gestão narrativa — uma das maiores estratégias de marketing digital
Depois de anos observando como a Taylor Swift constrói narrativas e ficando obcecada com cada história, entendi que storytelling é criar uma conexão emocional que transforma informação em memória para a vida.
Toda história eficaz no marketing precisa de quatro elementos fundamentais:
- Público: você precisa entender profundamente as necessidades, desejos e preocupações da sua audiência para criar uma narrativa que realmente ressoe com eles.
- Personagens: um protagonista relacionável que encarna as lutas e aspirações do seu público-alvo. O segredo aqui é fazer o cliente se ver como o herói da história, não a marca.
- Conflito: essencial para criar histórias envolventes e críveis. Deve refletir os desafios reais que seu público enfrenta no dia a dia.
- Resolução: demonstra como seu produto ou serviço ajuda o protagonista a superar os desafios, oferecendo esperança e uma solução clara.
As técnicas que fazem a diferença:
- Autenticidade: histórias que refletem genuinamente a personalidade e valores da marca, evitando fachadas insinceras
- Foco em emoções: histórias que evocam alegria, surpresa, intriga ou suspense criam conexões mais profundas e duradouras
- Linguagem clara e concisa: evitar jargões e complexidade que podem afastar o público
- Consistência: a história deve ser consistente em todos os canais para reforçar a identidade da marca
- Memorabilidade: boas histórias permanecem na mente do público muito depois de serem contadas
Gestão da narrativa da marca — transparência, consistência, capital narrativo
Controlar a narrativa da marca vai muito além de contar boas histórias. É sobre moldar ativamente como o mundo percebe sua empresa, especialmente em momentos de crise.
Tudo começa com sua “Superpower Statement” — similar à proposta de valor única, é o primeiro passo para controlar a narrativa, comunicando pontos fortes, valores e experiência de forma que ressoe com quem ouve.
Complementar isso com pesquisa de percepção, perguntando a pessoas de confiança como sua marca é vista, ajuda a validar ou ajustar essa declaração.
A transparência em crises é fundamental. Marcas como Toyota e KFC demonstraram isso magistralmente. Quando enfrentaram problemas, foram transparentes, admitiram erros publicamente e assumiram responsabilidade. Isso não apenas minimizou danos, mas fortaleceu a confiança a longo prazo.
E aí vem o conceito de “capital narrativo”, que é é fascinante, é como um seguro reputacional que você constrói ao longo do tempo. Marcas que mantêm alinhamento profundo e consistente entre o que dizem, fazem e representam criam uma “memória moral” que ajuda a absorver o risco de reações negativas em crises.
E o engajamento ativo com feedback negativo também é crucial. Responder prontamente e construtivamente, especialmente nas mídias sociais, mostra preocupação genuína e compromisso com a resolução. Isso transforma críticas em oportunidades de demonstrar valores.
O case Taylor Swift — Eras conceituais, regravações (“Taylor’s Version”) e reposicionamento narrativo
Agora, vamos ao maior exemplo de gestão narrativa que já vi em toda a minha vida: como a Taylor transformou uma disputa legal em um movimento de empoderamento.
A disputa pelos masters (basicamente e de forma muito resumida, tudo que ela já produziu na música) começou quando ela assinou um contrato em 2005, logo no início da carreira, que concedia à Big Machine Records os direitos dos seus seis primeiros álbuns.
Ela não tinha a menor ideia na época do que essa ação iria causar.
Em 2019, Scooter Braun adquiriu a Big Machine por US$ 300 milhões, sem o consentimento de Taylor. O maior problema é que Scooter já havia publicamente feito ataques à cantora, então ter todo o trabalho de sua vida nas mãos de alguém que claramente a detestava foi cruel.
A resposta da cantora foi usar uma estratégia de regravação para recuperar controle e desvalorizar os masters originais.
O impacto das regravações foi impressionante
Todos os 4 álbuns regravados chegaram ao #1 na Billboard 200, gerando vendas e streams massivos, enquanto as gravações originais caíram significativamente em vendas e saíram das paradas.
Ela literalmente fez o mercado escolher sua versão da história.
As mudanças na indústria foram imediatas: a Universal Music Group dobrou os períodos de restrição de regravação em novos contratos, e a iHeartRadio anunciou que tocaria apenas músicas “Taylor’s Version”. Ela não apenas recuperou sua música, mas mudou as regras da indústria para todos os artistas.
Cada “era” como narrativa distinta também merece destaque. Desde Fearless até The Tortured Poets Department, cada álbum conta uma história visual e musical específica, com estética, cores e símbolos únicos que reforçam a narrativa musical.
O storytelling bem executado funciona como um seguro reputacional. Quando você constrói narrativas consistentes e autênticas ao longo do tempo, cria resiliência contra crises e uma base de confiança que sustenta sua marca mesmo em momentos difíceis.
É investimento em percepção que se traduz diretamente em valor de mercado.
Branding sensorial e consistência de marca
Essa imagem de cima vai nos levar imediatamente para o nosso próximo tópico…
A Taylor sabe, como ninguém, criar experiências que vão muito além da música. Isso é branding sensorial, o engajamento dos cinco sentidos (visão, som, cheiro, sabor e tato) para criar experiências memoráveis e forjar conexões emocionais mais fortes com o público.
A psicologia das cores, por exemplo, é fascinante e funciona de forma quase instantânea:
- Vermelho evoca paixão, ação e energia (pense na Coca-Cola ou YouTube)
- Azul transmite segurança, confiança e profissionalismo (Facebook, PayPal)
- Amarelo desperta otimismo, atenção e criatividade (McDonald’s)
O que acontece neurologicamente é ainda mais interessante. O branding sensorial alavanca o sistema límbico (responsável por emoções e memória) e a integração sensorial (múltiplos sentidos trabalhando juntos) para criar respostas emocionais poderosas e memórias associadas às marcas.
Essa é uma abordagem neurocientífica que explora como o cérebro processa informações, criando uma conexão mais visceral e duradoura do que a comunicação puramente racional. Isso cria uma “impressão digital” sensorial da marca no cérebro do consumidor, que é mais difícil de esquecer e mais resistente a argumentos racionais da concorrência.
Consistência como ativo de confiança
Consistência não é apenas uma questão estética — é um ativo financeiro real.
A consistência demonstra profissionalismo e confiabilidade. Quando uma marca mantém uma identidade visual e sensorial coesa em todos os pontos de contato, ela sinaliza que cumpre expectativas e segue padrões estabelecidos. Isso cria um senso de familiaridade e segurança para o cliente, o que gera:
- Melhora do recall da marca: uma identidade coesa torna a marca mais memorável
- Eficiência de marketing: cada ponto de contato reforça a mensagem, otimizando esforços e recursos
- Redução da confusão: em um mundo onde consumidores veem milhares de anúncios por dia, a consistência age como um farol
E os riscos da inconsistência são severos:
- Confusão do cliente: dificuldade em reconhecer a marca em diferentes plataformas
- Dificuldade de diferenciação: a marca se torna indistinta da concorrência
- Perda de confiança: inconsistência pode dar impressão de amadorismo ou falta de confiabilidade
- Marketing ineficiente: desperdício de recursos e oportunidades de engajamento
A inconsistência não é apenas um problema de design, é um risco de negócio que pode custar clientes e receita.
O case Taylor Swift — Estética de cada era, paletas de cores, universos visuais e auditivos
Cada era da Taylor é um universo sensorial completo, com paletas de cores, símbolos e experiências cuidadosamente orquestradas.
Vou destacar o desdobramento estético por era que acompanhei de perto:
- Debut (2006): Verde-água e tons terrosos, transmitindo inocência country com violão e cabelos cacheados
- Fearless (2008): Dourado e vermelho carmesim, evocando fantasias de contos de fadas com vestidos de princesa e coroas de flores
- Speak Now (2010): Vários tons de roxo (lilás, lavanda, violeta), representando mistério e fantasia
- Red (2012): Vermelho, preto, branco e tan, simbolizando desilusão amorosa e caos emocional
- 1989 (2014): Azul bebê e tons pastéis, capturando a vibe urbana e nostálgica do synth-pop dos anos 80
- Reputation (2017): Preto e tons escuros, transmitindo desafio e renascimento com estética de apagão
- Lover (2019): Pastéis (rosa chiclete, lilás) e arco-íris, celebrando cura e amor-próprio
- Folklore/Evermore (2020): Cinza e tons terrosos, criando atmosfera introspectiva de cottagecore indie
- Midnights (2022): Azul escuro, roxos suaves e prateados brilhantes, evocando introspecção noturna
- The Tortured Poets Department (2024): Cinzas, tons sépia e marrons, remetendo à academia vintage e tragédias góticas
E temos ainda a mais nova era, o The Life of a Showgirl (2025), com tons laranja fortes.
Os símbolos específicos por era são igualmente poderosos: cobras em Reputation (ressignificando narrativas negativas), borboletas em Lover (transformação), cardigãs em Folklore (conforto e nostalgia).
O resultado é a criação de um “Swiftverse” imersivo onde cada era tem sua própria identidade sensorial completa, mas todas conectadas pela essência da artista. Isso permite que fãs “vivam” diferentes momentos de sua vida através de experiências sensoriais distintas.
Escassez planejada e exclusividade — o gatilho da urgência nas estratégias de marketing digital
A escassez pode rapidamente transformar um produto comum em algo irresistível. É uma estratégia centrada na urgência, onde empresas utilizam uma série de ações para gerar o desejo de compra no consumidor.
Quando algo aumenta de valor, torna-se mais difícil de obter. E se um produto estiver em falta, mas houver alta demanda por ele, o valor dispara, mesmo que o valor real não tenha mudado.
Isso funciona porque explora vieses comportamentais profundamente enraizados:
- FOMO (Fear Of Missing Out): o medo de perder uma oportunidade impulsiona decisões de compra mais rápidas. É aquela sensação de “se eu não comprar agora, pode não haver uma segunda chance”.
- Viés da escassez: faz com que produtos limitados ou com estoques baixos pareçam automaticamente mais valiosos, aumentando a necessidade de comprar.
- Efeito ancoragem: um preço inicial mais alto pode fazer um desconto parecer irresistível em promoções relâmpago.
O que torna essa estratégia tão eficaz é que ela não apenas gera urgência, ela perturba o equilíbrio entre oferta e demanda, criando demanda artificial que persuade as pessoas de que o produto tem valor maior do que realmente possui.
Impacto no comportamento do consumidor (FOMO, prova social, urgência)
A escassez transforma completamente o comportamento do consumidor, ela remodela a percepção de valor de forma fundamental.
O aumento do valor percebido acontece quase instantaneamente. Quando uma marca utiliza escassez estrategicamente, consegue despertar o instinto de urgência, ativar o FOMO e aumentar o valor percebido de produtos ou serviços, levando a maior engajamento e taxas de conversão.
A urgência na decisão de compra é o resultado direto. A percepção de que um produto está disponível por tempo limitado ou em quantidade reduzida cria uma sensação de “agora ou nunca” que impulsiona decisões mais rápidas.
Mas o que mais fascina é o papel da prova social. Quando clientes veem outros dispostos a sacrificar tempo — como ficar em filas — para obter um produto, eles entendem intuitivamente que aquilo deve valer a pena. A fila se torna um símbolo de desejo e prova social.
A versatilidade da escassez também impressiona. Ela pode ser aplicada não apenas com produtos físicos, mas também com benefícios intangíveis, como frete grátis limitado a uma data específica ou acesso exclusivo a conteúdo.
As pré-vendas funcionam como um gerador de antecipação especialmente eficaz. Permitir que clientes reservem produtos antes do lançamento formal gera entusiasmo e expectativa, além de fornecer informações valiosas sobre a demanda real do consumidor.
O case Taylor Swift — edições limitadas de vinis, ingressos da “Eras Tour”
A Taylor transformou a criação de variantes físicas em uma arte que impulsiona tanto vendas quanto lealdade.
As múltiplas variantes físicas são impressionantes em escala e estratégia:
- 1989: 5 versões diferentes com pacotes rotativos de Polaroids, incentivando múltiplas compras
- Midnights: 4 variantes de CD e 4 de vinil, além de exclusividades da Target e bundles da Capital One
- The Tortured Poets Department: 19 variantes físicas (9 CDs, 6 vinis, 4 cassetes), com versões deluxe exclusivas de seu site
Os bundles estratégicos são igualmente inteligentes. Para o Reputation, ela vendeu o álbum junto com mercadorias exclusivas como moletons, camisetas e suporte para smartphone, contribuindo significativamente para as vendas da primeira semana.
As exclusividades de varejistas, especialmente as parcerias com a Target, têm sido uma estratégia consistente desde Fearless, oferecendo edições exclusivas com faixas bônus, capas únicas e pôsteres.
Com isso, o TTPD vendeu 700.000 LPs de vinil na primeira semana, quebrando recordes. Isso é notável considerando o declínio geral nas vendas de mídia física.
E a Eras Tour exemplificou de vez a escassez extrema de forma quase acidental. A alta demanda resultou em uma fila online de uma hora para pré-vendas, demonstrando como a escassez real (não planejada) pode gerar frenesi ainda maior.
Advocacy e posicionamento em causas — além do produto
Hoje, Taylor Swift é uma das vozes mais influentes em questões sociais. Isso nos mostra muito sobre advocacy marketing — uma abordagem estratégica onde empresas utilizam a satisfação de clientes ou defensores da marca para promover a empresa de forma autêntica.
O advocacy marketing vai muito além da publicidade tradicional porque se baseia na crença genuína dos clientes na marca. Quando clientes se tornam defensores, eles amplificam as mensagens de marketing de forma orgânica e crível.
Mais de 90% dos consumidores confiam em recomendações de amigos e familiares mais do que em qualquer outro tipo de marketing.
O que torna essa estratégia ainda mais relevante hoje é a expectativa crescente da Geração Z por marcas socialmente responsáveis. Consumidores modernos, especialmente os mais jovens, não apenas esperam produtos de qualidade, eles querem que as marcas demonstrem responsabilidade social e ambiental.
Posicionamento em causas sociais e riscos de inautenticidade como estratégia de marketing digital
Decidir quando e como se posicionar em uma causa é um ato estratégico que exige extrema cautela.
Quando se posicionar requer quatro pilares fundamentais:
- Autenticidade: a postura deve ser genuína e alinhar-se estreitamente com os valores e missão estabelecidos da empresa. Não pode parecer oportunista.
- Alinhamento: a questão deve ter relevância direta para a marca, permitindo que ela fale sobre o tópico de forma significativa e com expertise real.
- Relevância: deve importar para seu público-alvo e fazer sentido no contexto do seu negócio.
- Impacto positivo: os potenciais ganhos de tomar uma posição devem superar os riscos de reação negativa.
Agora, o como se posicionar exige uma abordagem mais estruturada:
- Ações concretas: as palavras devem ser respaldadas por compromissos reais e contínuos, não gestos únicos de marketing.
- Conhecer o público: entender profundamente os valores da base de clientes para posicionar a causa de forma eficaz.
- Pesquisa aprofundada: ter entendimento completo das questões sobre as quais a marca está se manifestando.
- Consistência: a mensagem deve ser uniforme em todos os canais para evitar confusão.
O case Taylor Swift — defesa dos artistas, incentivo ao voto, apoio a minorias
Taylor Swift passou de completamente apolítica para uma das musicistas mais influentes na esfera política, e cada movimento foi calculado e autêntico.
A carta à Apple Music (2015) foi seu primeiro grande posicionamento público. Ela criticou a política de não pagar artistas durante o período de teste gratuito de três meses do Apple Music e anunciou que retiraria seu álbum 1989 do serviço.
Em questão de horas, a Apple reverteu sua política, concordando em pagar artistas durante o período de teste. Isso estabeleceu sua credibilidade como defensora dos direitos dos músicos.
O incentivo ao registro de eleitores mostrou seu poder de mobilização:
- 2018: sua postagem no Instagram endossando candidatos democratas levou a 169.000 novos registros de eleitores em apenas dois dias
- 2023: uma postagem para o Vote.org resultou em mais de 35.000 registros
- 2024: um endosso a Kamala Harris gerou 405.999 visitas ao vote.gov em 24 horas
O apoio aos direitos LGBTQ+ foi igualmente impactante. Ela defendeu os direitos da comunidade, criticou discriminação e iniciou uma petição no Change.org pela Lei da Igualdade, que obteve mais de 704.000 assinaturas. Sua música “You Need to Calm Down” levou a um aumento significativo nas doações para a GLAAD.
O caso Ticketmaster demonstrou como advocacy pode gerar mudanças sistêmicas
A má gestão da venda de ingressos da Eras Tour gerou críticas generalizadas e investigações governamentais, unindo políticos de ambos os partidos contra práticas monopolistas. Isso resultou no acordo das empresas de bilhetagem para abolir “taxas ocultas” — literalmente chamado de “ajuste de política de Taylor Swift”.
E cada posicionamento dela foi:
- Gradual: ela não mudou da noite para o dia, construiu credibilidade progressivamente
- Relevante: cada causa tinha conexão com sua experiência ou valores
- Impactante: gerou resultados concretos e mensuráveis
- Consistente: manteve coerência entre suas palavras e ações
Marketing oportunista (hypejacking) — pegando carona no momento certo
Toda vez que a senhorita Swift faz um anúncio, somos inundados de marcas surfando no hype. Esse é o conceito de hypejacking — uma estratégia que consiste em “pegar carona” em eventos ou hashtags de alta atenção para promover a própria marca.
O hypejacking funciona identificando e surfando em tendências culturais ou eventos em tempo real para gerar atenção e engajamento.
Essa estratégia de marketing digital transforma a atenção em uma mercadoria a ser capitalizada. Quando algo está em alta, há uma janela de oportunidade onde milhões de pessoas estão prestando atenção ao mesmo tema.
Marcas ágeis podem se inserir nessa conversa e ganhar visibilidade que normalmente custaria muito mais em publicidade tradicional.
Mas a agilidade e a resposta em tempo real são fatores críticos para o sucesso. A janela de oportunidade para surfar em uma tendência é extremamente curta — às vezes apenas algumas horas. Isso exige que as marcas sejam rápidas na identificação e na execução de suas mensagens para maximizar o impacto.
O potencial de alcance massivo a baixo custo é o que torna o hypejacking tão atrativo. Campanhas bem-sucedidas podem gerar milhões de visualizações e ampla cobertura de mídia com investimento mínimo, demonstrando um retorno fenomenal quando comparado à publicidade tradicional.
Porém, existe um desafio significativo na mensuração de ROI em campanhas efêmeras. A natureza rápida e muitas vezes não planejada do marketing oportunista dificulta a atribuição precisa do retorno sobre investimento. Os KPIs mudam rapidamente e os efeitos podem ser difíceis de isolar de outras atividades de marketing simultâneas.
O case Taylor Swift — como suas ações geram ondas de hype aproveitadas até por marcas como Duolingo e Itaú
Taylor se tornou um fenômeno único: suas ações geram ondas de hype que outras marcas aproveitam estrategicamente. É o “Efeito Taylor Swift”:
- Duolingo lançou “Lições Temáticas de Taylor Swift” durante o período das regravações, unindo estrategicamente música, cultura e aprendizado de idiomas. A empresa é conhecida por sua estratégia viral no TikTok, e essa colaboração se encaixou perfeitamente em sua abordagem de marketing cultural.
- Starbucks criou uma colaboração oficial para celebrar o Red (Taylor’s Version), permitindo que clientes pedissem um “Taylor’s Latte” (Latte Grande Caramel Nonfat). A campanha gerou um aumento de 18% no tráfego entre millennials e Geração Z, tornando-se viral e demonstrando como o endosso orgânico pode impulsionar resultados.
- Capital One, parceira oficial da Eras Tour, viu um aumento de 17% no volume de crédito após o período de vendas da turnê, significativamente acima de outros trimestres.
Recentemente, com o anúncio de The Life of a Showgirl (seu mais novo álbum), todos vimos uma “explosão de laranja” entre as marcas.
A FedEx, por exemplo, transformou seu logo tradicional em uma versão “bedazzled” laranja, enquanto a Olive Garden fez piadas sobre a necessidade de carboidratos em momentos de celebração.
Esse fenômeno demonstra como uma única artista pode influenciar estratégias de marketing de dezenas de empresas simultaneamente, criando um ecossistema de marketing colaborativo que transcende métodos tradicionais de publicidade.
O que outras marcas podem aprender — agilidade, relevância e timing
- Vigilância constante: é necessário “manter o nariz no chão”, farejando oportunidades de baixo custo. Isso requer monitoramento ativo de tendências, eventos e conversas culturais.
- “Faísca de brilho”: a criatividade instantânea que conecta o momento cultural à marca de forma inteligente e memorável.
- Relevância e autenticidade: funcionam como filtros cruciais. A mensagem deve ser diretamente relevante ao evento ou tendência, e a marca deve manter consistência para evitar parecer oportunista ou forçada.
A lição mais importante é que o hypejacking bem-sucedido não é sobre se aproveitar de qualquer trend — é sobre encontrar momentos onde sua marca pode contribuir genuinamente para a conversa cultural. O timing é tudo, mas a relevância é o que faz a diferença entre um momento viral e uma tentativa constrangedora de chamar atenção.

Todas essas marcas (e muitas outras) aproveitaram o momento para também aparecer.
Taylor Swift como manual vivo das estratégias de marketing digital
A cada nova era, a Taylor prova que marketing é criar experiências, construir narrativas, fazer as pessoas sentirem que fazem parte de algo maior. Dos easter eggs escondidos em encartes de CD até murais com QR codes espalhados por cidades inteiras, tudo é pensado para gerar curiosidade e conexão com o público.
E é impossível não perceber como essas lições atravessam fronteiras. Uma artista que transformou fãs em comunidade, disputas contratuais em narrativa de empoderamento e lançamentos em fenômenos culturais mostra que uma estratégia bem feita pode mudar mercados inteiros.
Na Farmer, acreditamos nisso de olhos fechados. Nosso trabalho é pegar esses mesmos fundamentos — marketing de expectativa, gestão narrativa, branding sensorial, escassez planejada e advocacy — e traduzi-los em resultados práticos para empresas de qualquer porte. Porque se a Taylor tem seu “Swiftverse”, a sua marca também pode criar um universo próprio que engaje, fidelize e encante.
Então fica a pergunta: qual vai ser a sua próxima era? Se está pronto para sair da versão demo e lançar a sua própria Taylor’s Version no marketing digital, mande uma mensagem para a nossa equipe!